Dias atrás estive na Faculdade de Tecnologia (FTEC), aqui de Porto Alegre, conversando com estudantes de alguns cursos sobre a minha experiência que relaciona arte e educação. O professor e diretor do grupo Farsa, Gilberto Fonseca, qualificou o nosso bate-papo como um exemplo de intertextualidade. Foi uma troca muito legal com esse pessoal que está pensando, a partir da academia, em novas formas de ver o mundo do conhecimento que nos rodeia.
Eu contei um pouco da minha caminhada, desde 2007, experimentando esta aproximação entre música, cultura e ensino de Física. Como é bom uma reflexão deste tipo, porque nos leva a ver melhor as nossas ações, ainda mais quando conversamos com sujeitos que estão abertos e sensíveis ao que está acontecendo. É claro que eu comecei este projeto porque percebi que existe um distanciamento entre a canção e o consumo artístico-educacional, voltado para o público estudantil. Acho que há uma demanda oculta ou um eclipse intencional neste setor da cultura. Poucos são os projetos que buscam está aproximação. Há muito espaço para isso e a cada diálogo que mantenho fora do meu campo de atuação escuto indicativos dessa demanda.
Na verdade, depois que saí de lá, fiquei pensando num Brasil com uma lei de incentivo à educação. Sei que já há um anteprojeto no MEC, mas como as coisas para este setor são demoradas nesse país. Talvez com uma lei deste tipo, projetos como o Cantando a Física não ficassem sem uma fonte de financiamento e pudessem realmente atingir um público mais amplo. Mas, enquanto isso não acontece fica a impressão que projetos arte-educacionais não podem receber financiamento cultural; e, também, que a linguagem musical pode excluir a canção.
Então, para que não permaneça esse eclipse, a linguagem musical, na forma de canção, é justamente música + letra. E falar de Física pode ser muito adequado na canção, desde que alguém queira, goste ou precise ouvir.